Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
Medo
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
A vingança, a justiça, o perdão e o esquecimento.
“O perdão dado a si mesmo lava a alma, purificando-a da vergonha e da culpa. Do perdão a si mesmo brota a força de perdoar aos outros”.
Parece bem possível que num primeiro momento se consiga separar com base nas afinidades, as coisas assim: Vingança-justiça e perdão-esquecimento.
Quando pensamos em um crime bárbaro ou uma situação aviltante, muitas vezes a idéia de vingança se confunde com a de justiça; não vá dizer que você, um dos meus poucos e pacientes leitores, ao se deparar com a notícia de um crime bárbaro pensa na prisão de seu autor como uma forma do Estado tutelar aquele cidadão até que ele tenha novamente condições de viver em sociedade né?
Na verdade, o que nos ocorre é que simplesmente a criatura deveria apodrecer na cadeia (ou coisa mais contundente); não como forma de justiça e sim, como forma de vingar-se numa espécie de exorcismo daquilo que nós seres humanos não queremos ver em nós mesmos. Para conseguirmos diferenciar de forma prática a vingança da justiça, importa que primeiro nos reconheçamos humanos, com todas as nuances próprias da raça. A vingança é instrumento próprio daqueles que ainda não conseguiram se livrar dos seus próprios fantasmas. A justiça como a concebemos, é simplesmente uma forma de controle social. É preciso que as duas não andem juntas; e é imprescindível que não seja dada a justiça a responsabilidade de resolver e/ou solucionar os problemas e males humanos.
O perdão é sentimento pleno e traz consigo a constatação de que o indivíduo, antes de qualquer outra coisa, se reconheceu como ser falível; deixou de ser um carrasco de si mesmo. Quando nós somos os nossos próprios carrascos não há como esperar que sejamos coisa melhor para os outros.
O perdão não está ligado a ofensa ou mal feito ao indivíduo; tem sim um liame inquebrantável com a capacidade de reconhecer que todo mal ou ofensa, só é mal ou ofensa a depender do que consideramos maléfico ou ofensivo. Para ser mais claro, o perdão está ligado diretamente a capacidade íntima de cada um de nós de relevar àquilo que não consideramos certo, partindo do princípio de que nem sempre a nossa verdade é mais verdadeira do que qualquer outra. O perdão (este sim ao contrário da justiça), tem a capacidade de modificar a realidade e transformar a vida, sobretudo de quem adquire a capacidade de perdoar.
O esquecimento, ao contrário do que muitos imaginam, é fenômeno de memória e não tem nenhum vínculo direto com o perdão. É possível perdoar sem esquecer.
“Eu não consigo esquecer quando me prejudicam” e outras constatações semelhantes servem de subterfúgio para não se dar ao trabalho de exercitar a difícil arte de perdoar. A memória é atributo físico e, mesmo que se tente, não será suprimida de modo algum. Qualquer experiência marcante na nossa vida não é e nem poderia ser esquecida facilmente; constatação que, naturalmente, não impede que perdoemos.
Ah!!! Já ia me esquecendo; às vezes perdoar é muuuuiiiiiiiito difícil; se você não conseguir, perdoe-se...
Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
O abismo de nossa ignorância
O abismo de nossa ignorância não se abre aos nossos olhos, senão depois de adquirirmos um bom cabedal de conhecimentos.
O homem que nada sabe acredita que nada há a saber, e julga-se, por isso, onisciente; impossível pois, dissipar-lhe essa ilusão”.
Ao ler o texto do Sivuca (a quem eu não tenho privilégio de conhecer pessoalmente; fato que evidentemente não impede que eu seja admirador de seus textos) “Tenras idades, tenros ossos”, não pude deixar de me lembrar de quando, aos 20 anos, fiz o meu primeiro vôo de parapente. Poucos conhecimentos eu tinha e achava que os detinha em grande quantidade.
Hoje sei o quão grande é minha ignorância em matéria de vôo livre e porque não, em matéria de viver. Vejo um monte de gente que, como eu há alguns anos atrás, acha que detém muito conhecimento. Longe de mim querer aconselha-los; ao contrário, acho sim que cada um de nós tem um caminho único a trilhar na vida e todos os erros e acertos são parte indelével de nossa programação nesse planetinha ainda azul.
De toda forma, não me sentiria bem em não alertar aos novos (de idade e, sobretudo de esporte): cuidado quando acharem que estão sabendo muito – justamente aí é que provavelmente você terá uma oportunidade, talvez única, de aprender. Para o bem de sua integridade física.
Sexta-feira, 28 de Março de 2008
"Viver é negócio muito perigoso..." - Fragmentos do grande João Guimarães Rosa e uns retratinhos legais...
"De cada vivimento real que eu tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Assim eu acho, assim é que eu conto..."
"Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe..."
"O que vale, são outras coisas. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem se misturam..."
"Contar é muito , muito, dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas - de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. O que eu falei foi exato? Foi. Mas teria sido? Agora, acho que nem não. São tantas horas de pessoas, tantas coisas em tantos tempos, tudo miúdo recruzado..."
O Sobrevivente da Croácia - 2ª parte.

Publicado no TERMAL – Jornal da Federação Mineira de Vôo Livre – Número 12 – Outubro de 1999
Segunda-feira, 24 de Março de 2008
O Swing Mistral 5 - Minhas impressões

Foto: Swing
Na última Sexta 21, fiz meus primeiros vôos com a minha nova vela - um Swing Mistral 5 (LTF 1-2 EN B). Foram aproximadamente 1 hora e meia voando; primeiro em condições termais fortes, depois um pouco mais fracas;por fim, um lift de fim de tarde.
Em que pese o fato de eu não me sentir apto a dar um parecer técnico acerca do parapente, sinto-me bastante a vontade em falar das minhas impressões usando como parâmetro outros parapentes em que já voei. A propósito, acho que se esse hábito fosse adotado por todos os pilotos que trocassem a asa, acrescentaria-se muito em termos de cultura esportiva e técnica a comunidade do vôo livre em geral. Talvez as pessoas evitem fazer uma colocação elogiosa ou uma crítica a um parapente, no receio de serem interpretadas como "garoto(a)- propaganda" ou crítico(a)de uma marca. A minha opinião é que se cada piloto tornasse público suas impressões acerca do parapente que voa, a escolha na hora da troca seria mais fácil e mais criteriosa. Certamente há mercado para todo mundo e qualidades e defeitos em todos os paracas. Precisamos descobri-los no intuito de achar aquele que combine mais com o que buscamos.

foto: Swing
Após o prólogo de praxe, vamos ao que interessa: O Mistral 5.
Na Sexta, cheguei na Serra da Moeda em BH por volta das 09:30 com o objetivo de fazer algum controle de solo com a minha nova vela antes de voar. Ansioso como uma criança que acaba de ganhar um brinquedo, tratei logo de abrir o paraca no pouso para infla-lo. Logo notei o acabamento caprichoso da Swing. Costuras, painéis e design me impressionaram muito positivamente. Velcro na ponta dos estabilizadores, borracha anti-derrapante nos batoques são bons e úteis "acessórios".
Seguindo a nova onda, o Mistral 5 também não tem linhas "D". São três tirantes (A, "baby A", B e C); o caso é que o tirante C vem com o que vou chamar de "Baby C": um pequeno tirante que nasce do C principal e que morre nas linhas do centro da vela; eu e outros piltos fizemos várias suposições a respeito de sua utilidade - resguardar um pedaço da vela do efeito do acelerador, diminuir arrasto, fazer com que o freio não atue (ou atue menos) no terço central da vela; poderia até o tal "Baby C" ser apenas uma solução da Swing para a ausência do "D" e aí ele não seria um "Baby C" e sim um "Pseudo D"... enfim, foram várias suposições sem que no entanto chegássemos a um consenso. Até o momento o manual do Mistral 5 está disponível apenas em Alemão, o que limita em muito a minha curiosidade.
O Mistral 5 tem ainda uma linha que atravessa toda a vela, por entre as células, no terço próximo ao bordo de fuga. Essa fita foi considerada por todos que a viram, consensualmente, um estabilizador da vela.
A INFLADA: O Mistral 5 é uma vela muito tranquila na inflada. Não sobe rápida demais, o que me pareceu uma qualidade bastante importante já que o ventão estava razoavelmente encorpado no dia de nossa estréia. Talvez na ausência de vento na decolagem essa peculiaridade se torne um defeito. De toda forma, nunca fui chegado em velas que sobem de forma brusca e rápida demais. Neste quesito, ponto para o Mistral 5.
O VÔO: Comandos precisos e honestos, sem nenhuma dose exagerada de conforto que prejudique o feedback necessário para a pilotagem ativa, o Mistral 5 me pareceu uma vela muito bem equilibrada, com uma certa tendência a esportividade. Os comandos não são muito macios e o seu curso de freios é compatível com o de um LTF 1-2: longo e tolerante.
O visual é um detalhe à parte; como haviam dois Mistral 5 voando na Moeda (deve ser a única rampa do mundo nesse momento em que voam dois Mistral 5 juntos) tive a oportunidade de ver a vela em vôo também; o shape do Mistral 5 é muito moderno e me lembrou muito as fotos que vi do Sport 4 da Airwave, com grande arqueamento e tensionamento dos estabilizadores que dão a vela um visual bem diferente.
RENDIMENTO E SEGURANÇA:Tive a impressão de que a vela perde pouco ( ou menos do que eu imaginava ) durante as turbulências e movimentos do Pitch, mas essa é uma impressão que eu ainda preciso confirmar. A velocidade de mãos altas é satisfatória e compatível com uma 1-2 moderna; porém, ao usar o acelerador tomei um "bom" susto: a vela acelerada rende MUITO com uma taxa de queda muito boa para a classe. É o tipo de vela que faz com que o piloto use o acelerador com frequência; acelerada, é bem estável e rende muito bem, um binômio difícil de ser encontrado na classe, convenhamos. OU a vela é estável acelerada OU rende bem. O Mistral 5 é estável e rende, com um afundamento muito honesto para a classe.
Peguei uma condição bem pauleira numa aproximação e a vela reagiu muito bem respondendo prontamente aos comandos, mostrando velocidade adequada para encarar o ventão na final e resistência a colapsos - não sofri sequer uma orelhinha e posso garantir que uma fechada eventual não estaria fora do script para a condição. Foi uma boa impressão do comportamento da vela.
RESUMO FINAL: O Mistral 5 é uma vela com performance digna dos novos e modernos 1-2. Não é a primeira vela para um piloto; trata-se talvez, de uma vela para quem voa de LTF/DHV 2 e quer fazer um bom Downgrade sem perder performance ou para o piloto que quer começar a colocar um pouco mais de tempero em seus vôos de fim de semana. No cross, acho que vai acompanhar tranquilamente o povo do pelotão "intermediário".
Eu fiquei muito satisfeito com o paraca; atendeu plenamente minhas expectativas iniciais.
Segunda-feira, 17 de Março de 2008
Por que voar de DHV 1-2?

Eu e um irmão "vertebrado" em Mariana/MG. Crédito da foto para o amigo Rogério.
Acabei de trocar a minha vela. Vendi o "Nemo" (um Ellus 2 que me deu muita felicidade) e comprei um Mistral 5 da Swing, também DHV 1-2 que infelizmente ainda não tive oportunidade sequer de inflar dada as condições diluvianas da região.
Vez ou outra, sou questionado sobre os motivos que me levam a continuar voando de velas de homologação baixa. Como a escolha do tipo de vôo que queremos fazer é uma questão que me parece importante, vou dar os meus motivos, que, afinal, estão longe de ser uma verdade absoluta. Trata-se somente da minha verdade, que pode ser diferente da sua e, seguramente, é diferente DA verdade, essa por sua vez diferente da minha e da sua.
1)Um mito muito comum no vôo livre, é de que o desempenho de um piloto melhora na medida em que ele passa a voar de velas de homologação mais alta.
Não é verdade; trata-se de um caso "do rabo que abana o cachorro" O desempenho do piloto melhora na medida em que ele torna-se mais capaz de entender a dinâmica do vôo livre e aplica-la de forma instintiva durante o vôo. A regra correta seria melhorar o piloto e depois trocar a vela (aí sim o cachorro abanaria o rabo) e não trocar a vela na intenção de melhorar o piloto. Além de ser uma atitude completamente ineficaz, mostra-se vez ou outra temerosa e inconsequente.
2)Um parapente DHV 1-2 de fabricação recente não limita o vôo de grande parte dos pilotos que eu vejo em rampas pelo Brasil a fora.
É errado imaginar que é regra geral, aplicável a todos no vôo livre, a premissa de que um vôo vai mais longe ou dura mais tempo se o piloto estiver voando velas de homologação mais alta. Ao contrário, o vôo pode ser melhor sob todos os prismas se o piloto voar em uma vela que lhe transmita mais segurança e não o surpreenda em situações mais críticas de turbulência. São inúmeros os exemplos de situações que comprovam essa teoria.
3)Talvez seja essa a questão mais delicada; a vaidade e a ética de grupo. O vôo livre é um esporte que transborda vaidade. Os pilotos são levados a imaginar que são pessoas "mais especiais que os outros" pelo fato de terem condições de carregar dentro de uma mochila as asas que os levam onde poucos têm coragem ou condiçoes de ir. A plenitude de estar voando às vezes é tão marcante que nos esquecemos que somos seres errantes num planetinha azul; deixamos de lembrar enfim, que somos tão mortais como qualquer outro.
Como em qualquer outro meio social, no vôo livre também surgem regras inconscientes de condutas, que tendem a se sobrepor as regras de comportamento normais que valem para todas as outras situações. Tudo bem quando a ética pessoal não se perde...
Quando estamos na rampa falamos e agimos de maneira própria, de forma a que àqueles que não são do nosso "clã" imaginem até que dialogamos em um idioma desconhecido e que àquelas roupas coloridas e diferentes (algumas sem nenhuma serventia) são feitas exclusivamente para aqueles seres especiais.
A essas peculiaridades sociais daremos o nome de ética de grupo. A ética de grupo usualmente, não passa de um meio legítimo de identificação de pessoas com o mesmo interesse social; assim também o é no vôo livre. O problema é que as vezes a ética do grupo impõe algumas ações temerosas.
A vaidade da qual falamos acima, juntada a ética de grupo cria condições ideais para que nasça a cultura do-cabra-bom-voa-de-vela-brava, premissa que mostra-se diaria e exaustivamente falsa.
4)Se eu pudesse dar uma sugestão a todos os meus irmãos de vôo eu diria: Voe o que lhe faça feliz! Preferencialmente, com o parapente que signifique o caminho mais fácil para a felicidade que só nós conhecemos: estar nas alturas escutando e sentindo o vento. Descobrindo na prática que o invisível e improvável existem e são tangíveis.
Afinal, somos todos especiais mesmo né?
Brevemente, posto as fotos e minhas impressões do Mistral 5.
Quarta-feira, 5 de Março de 2008
A RAÇA DOS DESASSOSSEGADOS
Eu e o "Nemo" decolando na Moedinha 2007. Crédito da foto para o amigo Michel.Conheci esse texto em Dezembro do ano passado e foi "amor a primeira vista".
A RAÇA DOS DESASSOSEGADOS - De Martha Medeiros
Foi no livro "A caverna", de José Saramago, que o personagem Cipriano Algor definiu seu genro Marçal como um homem "da raça dos desassossegados de nascença". Logo pensei ao ler, "eu também sou", assim como você deve estar pensando , "me inclua nessa".
À raça dos desassossegados pertencemos todos, negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, desde que tenhamos, como característica dessa raça comum, a inquietação que nos torna insuportavelmente exigentes com a gente mesmo e a ambição de vencer não os jogos, mas o tempo, esse adversário implacável.
Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete contante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.
Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem muito menos amor do que planejavam.
Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam antes de concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.
Desassossegados não podem mais ver telejornal que choram, não podem sair mais às ruas que temem, não podem aceitar tanta gente crua habitando as pirâmides e tanta gente cozida em filas, em madrugadas e no silêncio dos bueiros.
Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando sua abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegadoa voltados para a frente.
Desassossegados têm insônia e são gentis, lhes incomodam as verdades imutáveis, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente.
Dessa raça somos todos, eu sou, só sossego quando me aceito.
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
TUDO É RELATIVO
Quando eu estava convencido de que postava fotos antigas, eis que me chegam essas fotos do período Pré-Cambriano do vôo livre por email. Agradeço ao Arturzim Lewis pela gentileza.

Isso parecido com um parapente que aparece nas fotos se chama, de acordo com o Tuzim, ITV - Diadema e seria um paraca de competição (!)
De novo, o tal ITV Diadema decolando do que seria uma laje de um Mirante. Reparem na selete que o nosso herói usa...
O Tuzim prometeu mandar mais fotos dessa era geológica pouco conhecida do vôo livre; vamos aguardar.
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
FINAL: ARQUEOLOGIA VOADORA - histórias, fotos e registros mofados, embolorados e cheios de teias de aranha.
Mais alguns retratos ("retrato" é uma palavra que tem mais a ver com aquele tempo)
Um pouso no Mirante da 040: o único registro que eu tenho de vôos nesse lugar; provavelmente 1998.
O único vôo no Nova Phocus que eu tenho fotografia. E a vela era boa pra caramba!
Microondas, 1998.
Vôo do Morrinho em Bicas. Olha aí Heman!!! O Morrinho é esse sô!
CONTINUAÇÃO: ARQUEOLOGIA VOADORA - histórias, fotos e registros mofados, embolorados e cheios de teias de aranha.

...Pose antes de se jogar...

...Ai meu Deus...! E agora o que que eu faço?
...Ihhhh....esse trem tá voando...! e tá balançando pra caramba!
1997: Argirita/MG
-No lugar decola-se como se pode notar nas fotos, de frente para outra montanha, com efeito razoável de rotor;
-Ao contrário do que pode se imaginar, NÃO existe pouso abaixo da montanha. Para pousar, é preciso dar a volta na montanha da decolagem e pousar atrás dela; no rotor :-O
-É possível voar num lugar assim? Hoje acho que apesar de possível (como provam as fotos), não é prudente. Mais imprudente ainda foi voar sob estas condições sem ter nenhuma noção do que poderia ocorrer, como nesse fatídico dia.
Que fique claro que eu nao tenho a intenção de fazer apologia da bobagem; é somente uma lembrança dentre tantas outras das quais depreende-se que ao menos alguma coisa eu acabei aprendendo em todos esses anos...pelo menos não decolei mais de Argirita :-D
-Me lembro em especial, que nesse dia eu tive a sensação de que eu iria despencar (talvez fosse isso mesmo né?) a qualquer momento. A turbulência orográfica, tanto à frente da rampa por efeito de estar voando a sotavento de outra montanha, como no tal pouso , que na verdade é um rotor do local onde se decola, eram bastante fortes (ou pelo menos foi isso que ficou gravado na minha memória). Tudo isso somado as térmicas que se desprendiam a todo o tempo e eram devidamente varadas pelo preá borrado, podem dar a idéia do que essa experiência foi para mim que não tinha nenhuma condição de formar juízo de valor a respeito da minha segurança à época.
Me recordo de ter ficado paralisado e imaginado que quão mais rígido eu ficasse durante o vôo, menos aquele troço balançaria. Ai ai...
Atire a primeira fraldinha de reserva quem não tiver feito uma bela bobagem como essa na vida!
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
CONTINUAÇÃO: ARQUEOLOGIA VOADORA - histórias, fotos e registros mofados, embolorados e cheios de teias de aranha.

Pois bem; eis que em Leopoldina/MG, onde trabalhava em 1997, olho para o céu, e vejo uns caras voando de parapente! Necessário lembrar que naquela época, ver um parapente voando não era tão comum assim; segui os voadores até que pousassem, determinado a aprender a voar de verdade.
Recomecei então o meu aprendizado no vôo livre; desta vez tive condições de comprar o meu equipamento (este Edel Quantum Rosa Choque que aparece na foto acima, decolando do Microondas em juiz de Fora/MG - 1997).
Nessa ocasião, fiz inúmeras bobagens; a maioria delas em razão da pouca experiência de vida (e no vôo livre óbviamente) que me fazia achar que tinha poder de controle sobre tudo. Agradeço sempre ao Pai do Céu a proteção àquele menino inexperiente e cheio de si que eu era, com as presunções próprias de quem tem 20 anos.
O próximo capítulo da saga mostrará uma destas bobagens imortalizadas pela fotografia....
ARQUEOLOGIA VOADORA - histórias, fotos e registros mofados, embolorados e cheios de teias de aranha.
Coloquem suas máscaras anti-ácaro, tomem um poderoso anti-alérgico e sintam comigo o gostoso cheirinho de lembranças...
Essa foto registra o meu primeiro vôo de parapente, em 1995. O vôo não deve ter durado mais do que alguns segundos, mas me lembro muito bem de tudo o que eu senti naquele dia. O parapente acho que é um Classic; a turma mais antiga com certeza se lembrará tanto do modelo quanto da marca ( que eu não faço a mínima idéia).
Em 1994, me mudei para Poços de Caldas; tinha à época 20 anos, muita disposição, pouca vivência e muitíssimo a aprender na vida. Comnheci por lá um cara que estava mais ou menos nas mesmas condições que eu. O Ricardo também havia acabado de chegar em Poços de Caldas e, igualmente, não conhecia ninguém. O "culpado" por no dia 17 de Maio de 1995 eu ter me inscrevido em um curso para aprender a voar de parapente foi ele. Obrigado meu amigo!!!
Não pude terminar o curso, mas experimentei o gostinho de voar; o tal vírus de voador já estava incubado na minha alma e assim permaneceu até 1997 quando tive a oportunidade de reaprender a voar em leopoldina/MG.
É o que vou contar em seguida...
Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
"Nós: Mães de meninos-passarinhos"
Em 29 de Setembro de 2004, depois de anos de insistência e muita relutância, minha mãe finalmente resolveu ir até uma rampa pela primeira ( e única) vez; das emoções dela nesse dia e em tantos outros, nasceu o texto a seguir; uma página de raro talento e emoção de que a minha mãe foi generosamente dotada. Que Deus te proteja e ampare sempre Mãe querida! Amo você!
Nós: mãe de meninos passarinhos
“O homem aprendeu a difícil arte de nadar como peixes, de voar como pássaros, e desaprendeu da fácil arte de viver como irmãos” (Abrahan Lincoln)
Sempre quando assistia a alguma matéria sobre vôo livre, ficava imaginando: esse negócio deve ser muito bom, bom mesmo, tão bom que depois do um vôo ao colocarem seus pés no chão, eles, os meninos, vem com outro semblante seguido daquele tradicional “uhuuu”, como se estivessem em estado de graça, principalmente porque nessas matérias também é colocado um som que tem tudo a ver. Por isso deve ficar tão legal, pensei. Bonito, lindo, mas para o filho dos outros. Como devem ficar essas mães, que ampararam exageradamente seus filhos nos primeiros passos e num piscar de olhos vêem seus “filhotes” carregando nas costas um “mochilão” enorme, que é o tal do parapente, voando no infinito azul? É, Deus toma conta! – encerrei meus pensamentos.
Mas logo logo precisei retoma-los, porque aquele menino que na infância tinha medo de saltar de uma altura de mais ou menos 2 metros, me comunica que está fazendo um curso que pra mim era de um futuro candidato a passarinho, que em breve estaria voando. Ai, que frio na barriga. – cê ta louco menino?! Se eu quisesse ter um filho passarinho teria casado com um passarinhão. Presta atenção Junie; vai nadar, jogar futebol, entra pra uma academia de ginástica... Ai meu Deus, coitada daquelas mães do Esporte Espetacular.
Certa vez, fui até uma rampa, em Santa Rita, pra ver “meu menino”, já casado e pai de uma menina de 4 anos, voar. No caminho, no carro, o ar me faltava e eu dava uma de durona, até que chegou o momento do danado do vôo. A parafernália toda pronta, o vento ajudando, as asas coloridas do meu filho estão infladas e ele mergulha no espaço que parece querer roubá-lo de mim, levando-o cada vez mais para o alto. E ele vai voando, voando e eu pensei que fosse infartar vendo meu filho indo embora, cada vez mais pequenininho.
Ufa! Graças a Deus ele desceu, está no chão, lá embaixo. Fomos eu, Karine e Ana Clara resgata-lo. E para minha surpresa, quando olhei para ele, ele estava com os olhos brilhando, com aquela cara de bobo em estado de graça, que nem os meninos do Esporte Espetacular; só faltava o som, aquela música linda que tocava nos comerciais idiotas de cigarro, “Holliwood, o sucesso!”. – gostou mãe? Muito legal, Junie - consegui dizer.
Apesar da minha preocupação de mãe, meu filho foi conseguindo administrar meu medo, me passando sempre a noção de responsabilidade na vida em todos os setores, principalmente na hora de decidir: voar ou não. As vezes ainda me pego pensando: será que essa expressão que eles trazem no rosto depois de um vôo é porque se aproximaram mais das coisas superiores? Por alguns momentos se livraram das emanações grosseiras, lançadas através dos pensamentos e atos pelos homens na terra? Será que nas alturas a energia positiva do sol consegue bombardear pacificamente as criações negativas dos homens? Acho que sim. Por isso, esse ar de plenitude, de paz interior, de sentirem mais que qualquer um de nós, a essência pura e divina do Grande Arquiteto do Universo dentro deles.
Que Deus nos abençoe e, ampare nossos filhos que não estão fazendo mal a ninguém, só continuam sendo nossos filhos lindos, amados e...passarinhos.
Vera
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
O INDIVIDUALISMO ÉTICO.
Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
CONSPIRAÇÃO CONTRA A MUDANÇA - "Não se iluda meu amigo; a vida é eterno volver; a roseira decepada voltará a florescer..."
O sol se pondo no Planalto Central - a vida se renova e a mudança se reafirma como Lei natural da vida diariamente. Crédito da foto para minha amiga Flávia.Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
SÉRIE RAMPAS POR AÍ A FORA -FINAL
Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008
SÉRIE RAMPAS POR AÍ A FORA PARTE IX - VALADARES
A Valadares em questão é um distrito de Juiz de Fora/MG que fica às margens da BR 267 em direção ao Sul de Minas Gerais. No local não tem sinal de nenhuma operadora de celular. O Vilarejo deve ter no máximo uns 300 habitantes e não existe estrada para subir a rampa, o que significa que a subida é totalmente feita a pé (com os 25 kg da mochila do parapente nas costas óbviamente) e dura aproximadamente 1 hora e meia!
Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
SÉRIE "RAMPAS POR AÍ A FORA" PARTE VIII - PEDRA DO RELÓGIO - DESCOBERTO/MG
Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
SÉRIE "RAMPAS POR AÍ A FORA" PARTE VII - ALFREDO CHAVES/ES
SÉRIE "RAMPAS POR AÍ A FORA" PARTE VI - MARIANA/MG

Serra da Cartuxa em Mariana/MG ; o nome é esquisito mas o lugar é maravilhoso!
Além do vôo técnico, ficaram na memória a hospitalidade dos organizadores do evento (Vlw Rogério!) , o visual singular e o maior catrapo que eu já tomei voando de Ellus 2, onde pude observar (estava a mais de 800 metros acima da rampa ;-) a reação da vela e sua tendência a giro. Curiosamente, este colapso, que aconteceu por pura desatenção minha, me fez voar muito mais tranquilo com a vela.







